A cidade e/ é sua música.

Fotototototo

Henry volta a se apresentar no Sesc Boulevard na próxima sexta-feira (27) para lançar “Belém Incidental”. Foto: Divulgação

“Sou um compositor de canções tradicional, com a diversidade rítmica e poética de quem passou a maior parte da vida em Belém e que se nutre da cidade até hoje”. Assim se apresenta Henry Burnett, músico paraense que lança seu quinto álbum, “Belém Incidental”, na próxima sexta-feira (27), às 19h, em show gratuito no Sesc Boulevard.
Falar da obra de Henry é também falar de Belém. Não porque o músico, que também é pós-doutor em Filosofia e professor na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), repita clichês que se proliferam nas artes, no turismo e na mídia da capital paraense, mas sim por apresentar em suas canções diversas “facetas”, muitas vezes angustiantes e que incomodam, de uma população que não raramente se esquece e desconhece a si mesma. Continuar lendo

Belém do Pará, ano um. 401. | Parte 01

Foto: Maycon Nunes

À sombra dos urubus, Belém chega aos 401 anos. Foto: Maycon Nunes

Quão estranha e sofrida pode ser (ou é) uma cidade castigada pelo calor e pela chuva quase diariamente? Quão esperançosa é uma cidade que é capital de um estado que desde o hino já setencia: “teu destino é viver entre festas, do progresso, da paz e do amor”? Quão suja e abandonada é uma cidade com uma “infinidade de obras-sem-fim” e monturos de lixo, em que seus próprios habitantes e filhos não se intimidam e, em qualquer local e a qualquer momento, escarram grosso e raivosamente em dezenas de cusparadas destinadas ao solo citadino, amaldiçoando-o? Quão alegre e diversificada é uma cidade que na cultura, em que pese a gestão raquítica (pública e privada), possui uma produção rica, peculiar e instigante?
Após o quase apagado aniversário de 400 anos em 2016 (você lembra de algum grande evento na cidade no período? Uma grande reportagem? Algo que não fosse o clichê chato e insuportável de bolo-no-Ver-o-Peso-risos-e-olhares-famintos-e-baldes-com-bolos-cores-sabores-da-cidade-morena?), talvez seja hora de olhar para o passado “de relance” e, urgentemente, projetar e executar um/ no futuro ações minimamente concretas que ajudem a melhorar esta cidade. Belém pode começar então uma nova trajetória. Vive o ‘ano um’. O 401. Continuar lendo

Belém do Pará, ano um. 401. | Parte 02

Olhe pela janela de sua casa. Seu olhar pode cruzar com um prédio neoclássico e atrás dele um gigante de dezenas de andares; vire um pouco o rosto, levemente, e o casebre se cruzará com a casa de vidro repleta de arame farpado; se olhar para rua, talvez, o vendedor de frutas do fim da tarde e a caminhonete de luxo estejam disputando o mesmo espaço. “Os marcos” da cidade ainda existem, mas eles não mais residem sozinhos. Ignorar essa cidade, e não apenas seu cotidiano, é ignorar o presente como modo de aprender a retirá-la de seu manto que a encobre e, mimosamente, a eleva, esquecendo-se que é justamente com o presente e a partir de um presente que podemos dar um salto de “imagens dialéticas” (Benjamin) com a história. Belém, nos seus 400 anos, não pode adotar o “escapismo do presente”. (“Belém 400 anos e o ‘escapismo do presente'”, Relivaldo Pinho, 2016)

Foto: Cezar Magalhães

Foto: Cezar Magalhães

Repleta de imaginários e lugares de fala como “nada aqui presta”; “ruim com fulano, pior sem ele”; “no tempo do Barata…”; “na época da Borracha…”, talvez (a população de) Belém seja marcada pela inércia. Sejamos sinceros e atenciosos: reclamamos muito, fazemos pouco (e não raramente ainda duvidamos/ criticamos quem faz), cansamos rapidamente. Esperar uma solução dos céus é mais cômodo e mais simples. Ad(Mirar) outros locais é melhor ainda. O “problema” é que tal admiração muitas vezes também parte de imaginários (nem sempre “reais”) como “lugar com mais oportunidades”, “cidade maravilhosa”, “lá pelo menos tem praia”, “vou poder usar roupa de frio” e assim por diante. Neste contexto, uma região torna-se mais especial: o Sudeste. O El Dorado da Amazônia contemporânea. A Pasárgada pós-moderna onde se-trampando-tudo-dá.
Sair de Belém e exilar-se e/ou tentar crescer em outra cidade é errado? Claro que não. A atitude ajuda de fato a capital paraense? Provavelmente não, o que não significa que é algo condenável, obviamente. Pelo contrário: só se cresce em contato com o outro, com as trocas. Continuar lendo

Ciclo “Leituras de Freud”, com Ernani Chaves, começa esta semana em Belém

Original Caption: Sigmund Freud, 1856-1939, Austrian psychiatrist, in the office of his Vienna home looking at a manuscript. B/w photo ca.1930.

Original Caption: Sigmund Freud, 1856-1939, Austrian psychiatrist, in the office of his Vienna home looking at a manuscript. B/w photo ca.1930.

Na próxima terça-feira (10) terá início em Belém o “Ciclo Leituras de Freud”, no centro de Estudos Psicanalíticos do Pará (EPA), de 19h às 21h. O ciclo tem a finalidade introduzir, continuar ou aprofundar estudos em psicanálise, a partir de textos de Sigmund Freud, lidos no original alemão.
O ciclo será conduzido por Ernani Chaves, professor titular da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Pará (UFPA), importante estudioso brasileiro da obra de Freud e tradutor do volume de ensaios sobre Estética, publicados pela Editora Autêntica. Continuar lendo

A “dupla feat.” ou a produção musical difusa/ confusa da pós-modernidade

Imagem: Divulgação/site oficial

Alexander Delgado e Randy Malcolm integram a cubana Gente de Zona. Imagem: Divulgação/site oficial

Se você conhece um pouco da produção musical de outros países latinos – lembremos e lamentemos que, para muitos, “música latina” é música não feita no Brasil… -, em especial a contemporânea, já deve ter conhecido a dupla cubana Gente de Zona, formada por Alexander Delgado e Randy Malcom. E, com eles, você conheceu inúmeros outros músicos, não é mesmo?! É “feat” pra lá, “feat” pra cá…
Tem dúvida? Faça um teste rápido: troque de aba e pesquise “Gente de Zona” no Youtube ou mesmo no Google. Enrique Iglesias, Marc Anthony, Juan Magan, Pitbull e Los del Rio (os mesmos do “êêê Macarena”) são rapidamente destacados por parcerias com os cubanos. Curiosamente (e ironicamente), um dos primeiros videoclipes encontrados nas buscas sobre a dupla que não possui “feat” é o da música “Algo contigo”… Continuar lendo

Intercom divulga agenda de eventos regionais em 2017. Curitiba é logo ali!

caminho-1As edições regionais do Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom em 2017 já estão definidas. A lista foi divulgada no site da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação.
Os congressos regionais serão, por ordem de período de realização: Continuar lendo

Com 40 anos de carreira, Stress gravará videoclipe em show no próximo domingo (16)

Foto: Divulgação

Paulo Gui, Chamon e “Bala”, a atual formação do Stress. Foto: Divulgação

13 de novembro de 1982. Era noite de sábado e as imediações do estádio do Paysandu Sport Club, o Leônidas Sodré de Castro, mais conhecido como Estádio da Curuzú, localizado na travessa de mesmo nome com a Avenida Almirante Barroso, em Belém, estavam bastante movimentadas. A excitação e ansiedade pareciam ser visíveis, como me foi contado; tratava-se de uma noite histórica na cidade. Não, caro leitor, não era dia de alguma importante partida de futebol. Era dia de festa, de show da banda Stress, que lançava disco homônimo naquela noite. Continuar lendo

O que fica do Intercom 2016 ou “conselhos” para (jovens) pesquisadores em Comunicação

Imagem: Divulgação

Imagem: Divulgação

De 2008 até este ano, tive mais de dez trabalhos publicados nos anais das reuniões da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, a Intercom. Por “chatice” (discernimento?), não gosto de nenhum deles. Ou melhor: só de alguns, em parte. “E olhe lá”. Na verdade nem sei o que penso sobre, não os leio depois de publicados. No máximo “consulto” vez ou outra; o texto tem vida própria e, após escrito, não se sabe o que pode ocorrer e prefiro não percorrê-los novamente. Continuar lendo

Livro “Michel Foucault e a Antropologia” será lançado em Belém

Imagem: Reprodução

Imagem: Reprodução

A obra de Michel Foucault (1926-1984), há tempos, vem construindo uma complexa relação com as ciências humanas, em especial com a Antropologia. Alguns de seus conceitos entraram no cotidiano do empreendimento antropológico para serem utilizados como verdadeiras “palavras de ordem” ao ponto de até mesmo tornarem-se “lugares comuns”; não raramente é possível encontrar elogios, enfrentamentos e reutilizações conceituais ora na relação de Foucault com a Antropologia, ora da Antropologia em relação à Foucault.

Neste sentido, novas perspectivas, discussões e reflexões são fundamentais como, por exemplo, as presentes no livro Michel Foucault e a Antropologia, de Heraldo de Cristo Miranda, professor e doutor em Ciências Sociais, que será lançado na próxima terça-feira (23), no Sesc Boulevard, em Belém. Continuar lendo

Filme “Fisionomia Belém” entra em cartaz em janeiro na capital paraense

Cartaz oficial do Fisionomia Belém.

Cartaz oficial do Fisionomia Belém.

“Belém não é feita pra morar onde Belém está. Belém é um enxerto lusitano plantado num lugar quente pra dedéu, absolutamente de costas pras áreas de escoamento de vento. Historicamente os portugueses não queriam ter contato com o rio, não se sabe o porquê, por uma saudade imensa de onde eles vieram, por um sentimento, talvez, de extrema dor de estar num território longe de onde eles realmente queriam estar. E até hoje a gente não entendeu o que é estar morando aqui. O que seria isso, qual seria essa linha, qual seriam esses caminhos (…) A gente não entendeu como é que a Amazônia funciona. Como é que nós estamos funcionando na Amazônia? Nós estamos rodando no sistema errado, é essa a impressão que eu tenho todos os dias, eu fico atônito em como as pessoas não percebem isso, elas estão dando de cara o tempo todo nisso e, como você diz, estamos aqui um teatro, o palco está lançado, estamos atuando e nós ainda não descobrimos que o roteiro todo tá errado” (sic).
As reflexões – desabafos? – do jornalista e músico Lázaro Magalhães que iniciam este texto podem causar espanto e incômodo em muitas pessoas. Para muitas outras, no entanto, a possibilidade de compreendê-las como pontos de partida para discussões e compreensões mais amplas é o que talvez incite a tentar ver outra região, ou outras Belém do Pará.
Tais problemas evidenciados – e evidentes – na capital paraense e as relações com seus moradores são um dos pontos centrais no documentário Fisionomia Belém, que foi lançado em 2015 durante o Festival de Audiovisual de Belém e estará em cartaz em janeiro, na programação do Cine Estação das Docas. A programação, em comemoração aos 400 anos da capital paraense, contará ainda com a exibição dos filmes “Um Dia Qualquer”, passeio nostálgico pela Belém dos anos 1960, com direção e argumento de Líbero Luxardo e música de Waldemar Henrique, e “Desejo e Obsessão”, de Claire Denis (2001). Continuar lendo