O que fica do Intercom 2016 ou “conselhos” para (jovens) pesquisadores em Comunicação

Imagem: Divulgação

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De 2008 até este ano, tive mais de dez trabalhos publicados nos anais das reuniões da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, a Intercom. Por “chatice” (discernimento?), não gosto de nenhum deles. Ou melhor: só de alguns, em parte. “E olhe lá”. Na verdade nem sei o que penso sobre, não os leio depois de publicados. No máximo “consulto” vez ou outra; o texto tem vida própria e, após escrito, não se sabe o que pode ocorrer e prefiro não percorrê-los novamente. Continuar lendo

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Filme “Fisionomia Belém” entra em cartaz em janeiro na capital paraense

Cartaz oficial do Fisionomia Belém.

Cartaz oficial do Fisionomia Belém.

“Belém não é feita pra morar onde Belém está. Belém é um enxerto lusitano plantado num lugar quente pra dedéu, absolutamente de costas pras áreas de escoamento de vento. Historicamente os portugueses não queriam ter contato com o rio, não se sabe o porquê, por uma saudade imensa de onde eles vieram, por um sentimento, talvez, de extrema dor de estar num território longe de onde eles realmente queriam estar. E até hoje a gente não entendeu o que é estar morando aqui. O que seria isso, qual seria essa linha, qual seriam esses caminhos (…) A gente não entendeu como é que a Amazônia funciona. Como é que nós estamos funcionando na Amazônia? Nós estamos rodando no sistema errado, é essa a impressão que eu tenho todos os dias, eu fico atônito em como as pessoas não percebem isso, elas estão dando de cara o tempo todo nisso e, como você diz, estamos aqui um teatro, o palco está lançado, estamos atuando e nós ainda não descobrimos que o roteiro todo tá errado” (sic).
As reflexões – desabafos? – do jornalista e músico Lázaro Magalhães que iniciam este texto podem causar espanto e incômodo em muitas pessoas. Para muitas outras, no entanto, a possibilidade de compreendê-las como pontos de partida para discussões e compreensões mais amplas é o que talvez incite a tentar ver outra região, ou outras Belém do Pará.
Tais problemas evidenciados – e evidentes – na capital paraense e as relações com seus moradores são um dos pontos centrais no documentário Fisionomia Belém, que foi lançado em 2015 durante o Festival de Audiovisual de Belém e estará em cartaz em janeiro, na programação do Cine Estação das Docas. A programação, em comemoração aos 400 anos da capital paraense, contará ainda com a exibição dos filmes “Um Dia Qualquer”, passeio nostálgico pela Belém dos anos 1960, com direção e argumento de Líbero Luxardo e música de Waldemar Henrique, e “Desejo e Obsessão”, de Claire Denis (2001). Continuar lendo

Quando os muros falam, podem dizer muito

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Imagem: Reprodução/ Acción Poética

O poeta Paulo Leminski, em vídeo disponível na internet que mostra sua conversa com estudantes – possivelmente da Universidade Federal do Paraná (UFPR) – afirmou que tinha horror aos muros brancos.
Inserido em um contexto em que a poesia marginal marcava não somente seu espaço na produção artístico-cultural, como também na própria fisionomia da cidade, ele se referia aos muros como grandes e importantes meios de comunicação. Mais que o antigo embate “classificatório” entre pichação e grafite, a discussão se aproxima de ações e intervenções que buscam causar algo, seja uma reflexão, seja uma reação. Não cabe aqui refletir sobre uma possível ação criminosa ou não, mas sim seu cunho estético, político, poético.

Neste panorama, atualmente há várias ações que saem dos muros e chegam às redes sociais (em alguns casos, o contrário), mas destaco cinco que podem colaborar para reflexão sobre o tema, bem como outras reações através das frases, poemas, pensamentos inscritos e escritos. A escolha não foi das mais simples, mas apresentam um bom panorama sobre a temática, em especial na América Latina. Confira:

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Pelo bem, pelo mal, Oswald Canibal

Reprodução

Imagem: Reprodução/videoclipe Oswald Canibal 

Há mais de um ano, mais precisamente em 13 de março de 2014, enviei um e-mail ao professor, pesquisador e músico Henry Burnett. O e-mail também era dirigido a Victória Costa, da produtora Fóton Filmes, e a Adriana Camarão, da empresa MCubo. Seu conteúdo, aparentemente simples, carregava em suas linhas, mais que um convite, uma proposta ousada: a produção de um videoclipe de alguma música de Henry.
Como esperado, a ideia de pronto foi aceita com entusiasmo por todos. De início, a sugestão era a canção Oswald Canibal, minha favorita. Outras, no entanto, chegaram a ser cogitadas e planejadas; pareciam ter preferência. Entretanto, quis o destino – e não somente eu – que, por algumas questões, a escolhida pela maioria no final das contas fosse mesmo Oswald Canibal. Continuar lendo

A cidade além das cenas: uma entrevista com Fernando Segtowick

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Famílias e seus problemas, angústias e aparências; uma versão não estereotipada de uma das principais lendas do estado; a maior manifestação religiosa do estado e do país como um “suspense” e mesmo drama pessoal e urbano. Dias (2001), Matinta (2010) e No movimento da Fé (2013). Em quinze anos, os curtas metragens de Fernando Segtowick, como estes citados, talvez já tenham conseguido demarcar (ou criar?) certo espaço e “aceitação”, seja pela crítica, seja pelo público. Mais que isso, suas obras audiovisuais contribuem ou mesmo expressam certa realidade contemporânea da Amazônia; em movimento, fluida, problemática e instigante, que incita também transformações na fisionomia da cidade.
Levando em conta tudo isto, no início de abril de 2015, o grupo de pesquisa “Comunicação, Antropologia e Filosofia: estética e experiência na comunicação visual, audiovisual e literária urbana da contemporaneidade de Belém do Pará”, coordenado pelo Prof. Dr. Relivaldo Pinho, da Universidade da Amazônia (Unama), entrevistou Segtowick. A conversa é uma das que integrarão o documentário que está sendo produzido pelo grupo e será lançado no segundo semestre. Continuar lendo

Das praças das cidades às dos shoppings: uma conversa com Ernani Chaves

Foto: Priscila Bentes

Foto: Priscila Bentes

Das praças das metrópoles do final do século XIX e início dos XX às praças de alimentação dos shoppings centers contemporâneos. Do caminhar do flâneur, anônimo na multidão, mas central nela mesma, ao caminhar deambulatório de um passante “comum” na confusão das grandes cidades.
Essas e outras discussões fizeram parte da segunda entrevista do documentário que está sendo produzido pela equipe do projeto de pesquisa “Comunicação, Antropologia e Filosofia: estética e experiência na comunicação visual, audiovisual e literária urbana da contemporaneidade de Belém do Pará”, coordenado pelo Prof. Dr. Relivaldo Pinho de Oliveira, da Universidade da Amazônia (Unama). A conversa foi realizada com o professor Ernani Chaves, no final de 2014. Continuar lendo

Bregas serão enredo da websérie “Sampleados”

Fonte: Reprodução

Fonte: Reprodução

Músicas de brega, tecnobrega e histórias de vida. O diálogo, aparentemente inusitado, será a base da websérie Sampleados, que será lançada ainda este semestre.
Ao todo, serão cinco episódios com enredo independente, que apresentam histórias que trazem o mesmo conceito do curta metragem Encantada do Brega, que fez grande sucesso durante o final do ano passado. Transitando entre os gêneros comédia e drama, a produção terá como trilha mash-ups de bregas antigos e atuais. Continuar lendo