Com 40 anos de carreira, Stress gravará videoclipe em show no próximo domingo (16)

Foto: Divulgação

Paulo Gui, Chamon e “Bala”, a atual formação do Stress. Foto: Divulgação

13 de novembro de 1982. Era noite de sábado e as imediações do estádio do Paysandu Sport Club, o Leônidas Sodré de Castro, mais conhecido como Estádio da Curuzú, localizado na travessa de mesmo nome com a Avenida Almirante Barroso, em Belém, estavam bastante movimentadas. A excitação e ansiedade pareciam ser visíveis, como me foi contado; tratava-se de uma noite histórica na cidade. Não, caro leitor, não era dia de alguma importante partida de futebol. Era dia de festa, de show da banda Stress, que lançava disco homônimo naquela noite.
Segundo Roosevelt “Bala” Cavalcante, vocalista do Stress, o show da banda pareceu suprir uma necessidade festiva na cidade, uma vez que “era véspera de eleições, não tinha muita coisa na cidade, tinha outras festas, mas o maior evento era o show do Stress, parecia que a cidade tinha parado pro lançamento do disco”, como afirmou em entrevista anos atrás.
A história do Stress, no entanto, começou seis anos antes, sob outro nome: Pingo D’água, curioso nome que foi pensado devido ao formato do bumbo da bateria do grupo. Na primeira formação, Wilson Silva, Pedro Valente, André Chamon, Roosevelt Bala e Sergio Fuleira, deram início não somente a trajetória da banda, mas também a uma nova e importante cena do rock regional e nacional.

Da esquerda para a direita, Wilson Silva, Pedro Valente, André Chamon, Roosevelt Bala e Sergio Fuleira, 1976: a primeira formação do Stress. Foto: Arquivo pessoal/ Roosevelt “Bala”

Com o tempo, a banda começou a se dedicar mais ao Heavy Metal e precisava de um nome mais impactante, “enérgico”, que representasse ao mesmo tempo um som pesado e rápido, como queriam fazer. Antes de Stress, pensaram em T.N.T. e Elektra. Ambos agradaram a banda, mas ainda sentiam falta de algo. Foi quando o guitarrista Pedro Valente sugeriu o nome Stress, até então desconhecido dos jovens músicos. Após explicar o significado do mesmo, chegaram a conclusão de que aquele era o nome ideal para a banda. Nascia o Stress.

“Bala”, como é até hoje conhecido, ganharia mais cabelos, peso e, ao lado de Pedro Valente, André Chamon e Leonardo Renda, se tornaram lendas vivas do rock paraense e nacional, tocando diversas vezes no Circo Voador, no Rio de Janeiro, abrindo o show da banda Iron Maiden, em 2011 e lançando o álbum ““Amazon first metal attack”, da coletânea com o selo europeu Metal Soldiers, o Live ‘n’ Memory, que ainda deve lançar outros álbuns da banda para o mundo todo.

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10 mil? 20 mil? Até hoje o número do público no show de lançamento do álbum “Stress” é discutido. O que se sabe é que o gramado do Estádio da Curuzú ficou lotado para reverenciar a banda. Foto: Divulgação

Quatro décadas depois de sua “criação” (ainda que as datas sejam conflitantes, já que se fala da gênese da banda em 1974, 1976 e até 1977), o Stress fará um show naquele que já foi o templo do rock paraense na década de 1980, o Teatro Waldemar Henrique, no próximo domingo (16), a partir de 19h, para marcar não somente o aniversário da banda como também para a gravação do videoclipe da música “Heavy metal é a lei”.

O videoclipe
O clipe será dirigido por Paulo Roque, que é cineasta, professor na pós-graduação de cinema e fotografia da Faculdade Estácio e desenvolve vários projetos artísticos independentes. Paulo também dirigiu vários clipes, documentários e curtas-metragens, como “Ao Quadrado” e “A menina e o boto”.
De acordo com Roque, “a ideia de fazer o clipe surgiu no mesmo dia em que eu estava filmando o show da banda DNA para o clipe deles e o Roosevelt Bala estava lá assistindo o show. Depois quando viu o clipe pronto me disse que gostou da linguagem que usei relembrando o visual das bandas inglesas dos anos 70, foi então que combinamos de filme neste show o videoclipe”.

A obra, no entanto, ainda não possui data para lançamento. “Os primeiros takes serão no show e depois veremos se eles estão dispostos a fazer outras imagens. Já tenho umas ideias e a gente ficou de conversar depois do show. Mas tudo indica que deve ficar pronto antes do final do ano. Eles levaram 40 anos na estrada pra chegar aqui, não vou ser eu a ter pressa…(risos)”, disse Roque, descontraído.

Stress: a primeira banda de heavy metal do país

Foto: Divulgação

Capa do primeiro disco da banda. Foto: Divulgação

O primeiro disco do grupo foi gravado em agosto de 1982, no estúdio Sonoviso, no Rio de Janeiro. Possuía oito canções (Sodoma e Gomorra, O lixo, Mate o réu, 2031, O viciado, Oráculo de Judas, Stressencefalodrama e A chacina).
Como era obrigatório, as composições já haviam passado pela análise da Censura, que fez observações em quase todas, mas considerou principalmente duas ofensivas e inapropriadas. Arguto, “Bala” decidiu fazer alterações linguísticas e mesmo semânticas na escrita de alguns títulos: o que era “Lixo Humano”, passou a ser “Lixo, mano”, na canção “O lixo” e a canção “Corpus Christi” teve que ter seu título alterado para Oráculo de Judas.

Ainda para o lançamento do disco, o vocalista do Stress destacou o fato de os próprios membros da banda terem montado o palco para a apresentação no estádio da Curuzú que, anos depois, seria considerada a primeira de um show de heavy metal no Brasil. “Tivemos que carregar caixa de som, construir o palco, com perna manca, essas coisas. Naquela época se fazia as coisas mais na raça”, finalizou o “Bala”.

Membros so Stress ajudaram a construir o palco no estádio da Curuzú. Foto: Arquivo pessoal/Roosevelt Bala

Membros do Stress ajudaram a construir o palco no estádio da Curuzú. Foto: Arquivo pessoal/Roosevelt Bala

Em novembro de 2012, a banda comemorou 30 anos do lançamento do primeiro álbum com um show no Memorial dos Povos, em Belém. Além disso, foram realizados shows em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Serviço
Show do Stress – 40 anos de carreira
Quando? 16 de Outubro de 2016
Onde? Teatro Experimental Waldemar Henrique, a partir de 19h
Locais de Venda: Lojas Arrepius (Gama Abreu, 1107) e Estação Chicago (Rua Carlos Gomes , 117).
Ingressos: R$40.00 / R$20.00 (meia somente com a produção ou na hora do evento)
Mais informações: (91)991141100

Observação: Parte das informações aqui publicadas foram coletadas durante minha pesquisa no mestrado no Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais (Antropologia) da Universidade Federal do Pará, que resultou na dissertação “Insólitos sons da Amazônia? Experiência e espírito de época na cena e no circuito rock de Belém do Pará entre 1982 e 1993”, apresentada em agosto de 2013.

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