Filme “Fisionomia Belém” entra em cartaz em janeiro na capital paraense

Cartaz oficial do Fisionomia Belém.

Cartaz oficial do Fisionomia Belém.

“Belém não é feita pra morar onde Belém está. Belém é um enxerto lusitano plantado num lugar quente pra dedéu, absolutamente de costas pras áreas de escoamento de vento. Historicamente os portugueses não queriam ter contato com o rio, não se sabe o porquê, por uma saudade imensa de onde eles vieram, por um sentimento, talvez, de extrema dor de estar num território longe de onde eles realmente queriam estar. E até hoje a gente não entendeu o que é estar morando aqui. O que seria isso, qual seria essa linha, qual seriam esses caminhos (…) A gente não entendeu como é que a Amazônia funciona. Como é que nós estamos funcionando na Amazônia? Nós estamos rodando no sistema errado, é essa a impressão que eu tenho todos os dias, eu fico atônito em como as pessoas não percebem isso, elas estão dando de cara o tempo todo nisso e, como você diz, estamos aqui um teatro, o palco está lançado, estamos atuando e nós ainda não descobrimos que o roteiro todo tá errado” (sic).
As reflexões – desabafos? – do jornalista e músico Lázaro Magalhães que iniciam este texto podem causar espanto e incômodo em muitas pessoas. Para muitas outras, no entanto, a possibilidade de compreendê-las como pontos de partida para discussões e compreensões mais amplas é o que talvez incite a tentar ver outra região, ou outras Belém do Pará.
Tais problemas evidenciados – e evidentes – na capital paraense e as relações com seus moradores são um dos pontos centrais no documentário Fisionomia Belém, que foi lançado em 2015 durante o Festival de Audiovisual de Belém e estará em cartaz em janeiro, na programação do Cine Estação das Docas. A programação, em comemoração aos 400 anos da capital paraense, contará ainda com a exibição dos filmes “Um Dia Qualquer”, passeio nostálgico pela Belém dos anos 1960, com direção e argumento de Líbero Luxardo e música de Waldemar Henrique, e “Desejo e Obsessão”, de Claire Denis (2001). Continuar lendo

Pelo bem, pelo mal, Oswald Canibal

Reprodução

Imagem: Reprodução/videoclipe Oswald Canibal 

Há mais de um ano, mais precisamente em 13 de março de 2014, enviei um e-mail ao professor, pesquisador e músico Henry Burnett. O e-mail também era dirigido a Victória Costa, da produtora Fóton Filmes, e a Adriana Camarão, da empresa MCubo. Seu conteúdo, aparentemente simples, carregava em suas linhas, mais que um convite, uma proposta ousada: a produção de um videoclipe de alguma música de Henry.
Como esperado, a ideia de pronto foi aceita com entusiasmo por todos. De início, a sugestão era a canção Oswald Canibal, minha favorita. Outras, no entanto, chegaram a ser cogitadas e planejadas; pareciam ter preferência. Entretanto, quis o destino – e não somente eu – que, por algumas questões, a escolhida pela maioria no final das contas fosse mesmo Oswald Canibal. Continuar lendo

A cidade além das cenas: uma entrevista com Fernando Segtowick

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Famílias e seus problemas, angústias e aparências; uma versão não estereotipada de uma das principais lendas do estado; a maior manifestação religiosa do estado e do país como um “suspense” e mesmo drama pessoal e urbano. Dias (2001), Matinta (2010) e No movimento da Fé (2013). Em quinze anos, os curtas metragens de Fernando Segtowick, como estes citados, talvez já tenham conseguido demarcar (ou criar?) certo espaço e “aceitação”, seja pela crítica, seja pelo público. Mais que isso, suas obras audiovisuais contribuem ou mesmo expressam certa realidade contemporânea da Amazônia; em movimento, fluida, problemática e instigante, que incita também transformações na fisionomia da cidade.
Levando em conta tudo isto, no início de abril de 2015, o grupo de pesquisa “Comunicação, Antropologia e Filosofia: estética e experiência na comunicação visual, audiovisual e literária urbana da contemporaneidade de Belém do Pará”, coordenado pelo Prof. Dr. Relivaldo Pinho, da Universidade da Amazônia (Unama), entrevistou Segtowick. A conversa é uma das que integrarão o documentário que está sendo produzido pelo grupo e será lançado no segundo semestre. Continuar lendo

Premiado, livro sobre cinema e literatura da Amazônia será lançado em Belém

Imagem: Divulgação

Imagem: Divulgação

O livro “Antropologia e filosofia: experiência e estética na literatura e no cinema da Amazônia”, de Relivaldo Pinho, será lançado na próxima sexta-feira (05) no estande da Universidade federal do Pará (UFPA), na Feira Pan-Amazônica do Livro.
A obra de Relivaldo, que é doutor em Ciências Sociais (Antropologia) e professor do Mestrado em Comunicação, Linguagens e Cultura da Unama foi vencedora da edição de 2012 do Prêmio Bendito Nunes de Teses de Doutorado e será publicada pela Editora da Universidade Federal do Pará (ed.ufpa).
No livro são estudadas as obras “Belém do Grão Pará”, de Dalcídio Jurandir, “Altar em chamas”, de João de Jesus Paes Loureiro, “Os Éguas”, de Edyr Augusto, e os filmes “Um dia qualquer”, de Líbero Luxardo, “Ver-o-Peso”, de Januário Guedes, Peter Roland e Sônia Freitas e “Dias”, de Fernando Segtowick. Continuar lendo

Das praças das cidades às dos shoppings: uma conversa com Ernani Chaves

Foto: Priscila Bentes

Foto: Priscila Bentes

Das praças das metrópoles do final do século XIX e início dos XX às praças de alimentação dos shoppings centers contemporâneos. Do caminhar do flâneur, anônimo na multidão, mas central nela mesma, ao caminhar deambulatório de um passante “comum” na confusão das grandes cidades.
Essas e outras discussões fizeram parte da segunda entrevista do documentário que está sendo produzido pela equipe do projeto de pesquisa “Comunicação, Antropologia e Filosofia: estética e experiência na comunicação visual, audiovisual e literária urbana da contemporaneidade de Belém do Pará”, coordenado pelo Prof. Dr. Relivaldo Pinho de Oliveira, da Universidade da Amazônia (Unama). A conversa foi realizada com o professor Ernani Chaves, no final de 2014. Continuar lendo

Bregas serão enredo da websérie “Sampleados”

Fonte: Reprodução

Fonte: Reprodução

Músicas de brega, tecnobrega e histórias de vida. O diálogo, aparentemente inusitado, será a base da websérie Sampleados, que será lançada ainda este semestre.
Ao todo, serão cinco episódios com enredo independente, que apresentam histórias que trazem o mesmo conceito do curta metragem Encantada do Brega, que fez grande sucesso durante o final do ano passado. Transitando entre os gêneros comédia e drama, a produção terá como trilha mash-ups de bregas antigos e atuais. Continuar lendo

Belém, esse estranho ir e vir, ou uma conversa com Edyr

Foto: Priscila Bentes

Edyr Augusto em entrevista em dezembro de 2014. Foto: Priscila Bentes

Tarde de sexta-feira de dezembro. O calor comum em Belém castiga quem passa pela Presidente Vargas. Em uma sala de um prédio da avenida, mais precisamente o escritório da Rádio Jovem Pan, no Palácio do Rádio, um senhor toma alguns goles de Coca-Cola e mostra as edições francesas de seus livros, tendo atrás de si uma parede amarela com quadros em pop art de Audrey Hepburn.

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