Filme “Fisionomia Belém” entra em cartaz em janeiro na capital paraense

Cartaz oficial do Fisionomia Belém.

Cartaz oficial do Fisionomia Belém.

“Belém não é feita pra morar onde Belém está. Belém é um enxerto lusitano plantado num lugar quente pra dedéu, absolutamente de costas pras áreas de escoamento de vento. Historicamente os portugueses não queriam ter contato com o rio, não se sabe o porquê, por uma saudade imensa de onde eles vieram, por um sentimento, talvez, de extrema dor de estar num território longe de onde eles realmente queriam estar. E até hoje a gente não entendeu o que é estar morando aqui. O que seria isso, qual seria essa linha, qual seriam esses caminhos (…) A gente não entendeu como é que a Amazônia funciona. Como é que nós estamos funcionando na Amazônia? Nós estamos rodando no sistema errado, é essa a impressão que eu tenho todos os dias, eu fico atônito em como as pessoas não percebem isso, elas estão dando de cara o tempo todo nisso e, como você diz, estamos aqui um teatro, o palco está lançado, estamos atuando e nós ainda não descobrimos que o roteiro todo tá errado” (sic).
As reflexões – desabafos? – do jornalista e músico Lázaro Magalhães que iniciam este texto podem causar espanto e incômodo em muitas pessoas. Para muitas outras, no entanto, a possibilidade de compreendê-las como pontos de partida para discussões e compreensões mais amplas é o que talvez incite a tentar ver outra região, ou outras Belém do Pará.
Tais problemas evidenciados – e evidentes – na capital paraense e as relações com seus moradores são um dos pontos centrais no documentário Fisionomia Belém, que foi lançado em 2015 durante o Festival de Audiovisual de Belém e estará em cartaz em janeiro, na programação do Cine Estação das Docas. A programação, em comemoração aos 400 anos da capital paraense, contará ainda com a exibição dos filmes “Um Dia Qualquer”, passeio nostálgico pela Belém dos anos 1960, com direção e argumento de Líbero Luxardo e música de Waldemar Henrique, e “Desejo e Obsessão”, de Claire Denis (2001). Continuar lendo

Quando os muros falam, podem dizer muito

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Imagem: Reprodução/ Acción Poética

O poeta Paulo Leminski, em vídeo disponível na internet que mostra sua conversa com estudantes – possivelmente da Universidade Federal do Paraná (UFPR) – afirmou que tinha horror aos muros brancos.
Inserido em um contexto em que a poesia marginal marcava não somente seu espaço na produção artístico-cultural, como também na própria fisionomia da cidade, ele se referia aos muros como grandes e importantes meios de comunicação. Mais que o antigo embate “classificatório” entre pichação e grafite, a discussão se aproxima de ações e intervenções que buscam causar algo, seja uma reflexão, seja uma reação. Não cabe aqui refletir sobre uma possível ação criminosa ou não, mas sim seu cunho estético, político, poético.

Neste panorama, atualmente há várias ações que saem dos muros e chegam às redes sociais (em alguns casos, o contrário), mas destaco cinco que podem colaborar para reflexão sobre o tema, bem como outras reações através das frases, poemas, pensamentos inscritos e escritos. A escolha não foi das mais simples, mas apresentam um bom panorama sobre a temática, em especial na América Latina. Confira:

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Jornada de Comunicação da Fapan e da Fapen destacará criatividade e profissionalização

Agência Experimental de Comunicação

Crédito: Agência Experimental de Comunicação

“Tu crias, mas tu te comunicas?”. Tendo este questionamento como tema, a Jornada de Comunicação da Faculdade Pan Amazônica (Fapan) e Faculdade Paraense e Ensino (Fapen) de 2015 terá como destaque não somente a discussão sobre a necessidade da criatividade e aperfeiçoamento na produção publicitária, mas também a busca por melhorias nas estratégias e discussões em todo o campo da comunicação.
Com um clash e três oficinas, o evento segue a lista de atividades inovadoras com profissionais renomados que estão se tornando marcas do Curso de Comunicação das Faculdades. Toda a programação é gratuita e aberta também a estudantes de outras instituições.
Veja a programação completa: Continuar lendo

Festival de Audiovisual de Belém está com inscrições abertas

Arte: Camila Rodrigues

Arte: Camila Rodrigues

Produtores, diretores e demais profissionais do cenário audiovisual podem inscrever obras na terceira edição do Festival de Audiovisual de Belém (FAB), que será realizado entre os dias 29 de outubro e 01 de novembro, no Cinema Olympia, na capital paraense. Este ano, o festival apresenta apenas mostras não competitivas, organizadas em sete categorias. São elas: “Curta Metragem”; “Videoclipe”; “Propaganda Publicitária Audiovisual”; “Videoarte”; “Vídeo-minuto”, “Vídeos de bolso” e “Crítica de Audiovisual Brasileiro”. As inscrições seguem até 11 de setembro.

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Pelo bem, pelo mal, Oswald Canibal

Reprodução

Imagem: Reprodução/videoclipe Oswald Canibal 

Há mais de um ano, mais precisamente em 13 de março de 2014, enviei um e-mail ao professor, pesquisador e músico Henry Burnett. O e-mail também era dirigido a Victória Costa, da produtora Fóton Filmes, e a Adriana Camarão, da empresa MCubo. Seu conteúdo, aparentemente simples, carregava em suas linhas, mais que um convite, uma proposta ousada: a produção de um videoclipe de alguma música de Henry.
Como esperado, a ideia de pronto foi aceita com entusiasmo por todos. De início, a sugestão era a canção Oswald Canibal, minha favorita. Outras, no entanto, chegaram a ser cogitadas e planejadas; pareciam ter preferência. Entretanto, quis o destino – e não somente eu – que, por algumas questões, a escolhida pela maioria no final das contas fosse mesmo Oswald Canibal. Continuar lendo

A cidade além das cenas: uma entrevista com Fernando Segtowick

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Famílias e seus problemas, angústias e aparências; uma versão não estereotipada de uma das principais lendas do estado; a maior manifestação religiosa do estado e do país como um “suspense” e mesmo drama pessoal e urbano. Dias (2001), Matinta (2010) e No movimento da Fé (2013). Em quinze anos, os curtas metragens de Fernando Segtowick, como estes citados, talvez já tenham conseguido demarcar (ou criar?) certo espaço e “aceitação”, seja pela crítica, seja pelo público. Mais que isso, suas obras audiovisuais contribuem ou mesmo expressam certa realidade contemporânea da Amazônia; em movimento, fluida, problemática e instigante, que incita também transformações na fisionomia da cidade.
Levando em conta tudo isto, no início de abril de 2015, o grupo de pesquisa “Comunicação, Antropologia e Filosofia: estética e experiência na comunicação visual, audiovisual e literária urbana da contemporaneidade de Belém do Pará”, coordenado pelo Prof. Dr. Relivaldo Pinho, da Universidade da Amazônia (Unama), entrevistou Segtowick. A conversa é uma das que integrarão o documentário que está sendo produzido pelo grupo e será lançado no segundo semestre. Continuar lendo

Premiado, livro sobre cinema e literatura da Amazônia será lançado em Belém

Imagem: Divulgação

Imagem: Divulgação

O livro “Antropologia e filosofia: experiência e estética na literatura e no cinema da Amazônia”, de Relivaldo Pinho, será lançado na próxima sexta-feira (05) no estande da Universidade federal do Pará (UFPA), na Feira Pan-Amazônica do Livro.
A obra de Relivaldo, que é doutor em Ciências Sociais (Antropologia) e professor do Mestrado em Comunicação, Linguagens e Cultura da Unama foi vencedora da edição de 2012 do Prêmio Bendito Nunes de Teses de Doutorado e será publicada pela Editora da Universidade Federal do Pará (ed.ufpa).
No livro são estudadas as obras “Belém do Grão Pará”, de Dalcídio Jurandir, “Altar em chamas”, de João de Jesus Paes Loureiro, “Os Éguas”, de Edyr Augusto, e os filmes “Um dia qualquer”, de Líbero Luxardo, “Ver-o-Peso”, de Januário Guedes, Peter Roland e Sônia Freitas e “Dias”, de Fernando Segtowick. Continuar lendo