“Desamor”, mudanças na fisionomia e problemas marcam Belém contemporânea

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Foto: Cezar Magalhães.

Na última semana, Belém completou 399 anos. Quase quadricentenária, a capital paraense talvez siga com a dúvida: inspira-se no passado ou concentra-se no presente para construir seu futuro?
Pesquisadores também aproveitaram o 12 de janeiro para refletir e entender se há mais motivos para comemorar ou lamentar. Diversos são os questionamentos e problemas que colaboram para esta reflexão.
Para o aniversário da cidade fiz entrevistas com três pesquisadores: Diego Andrés León Blanco, antropólogo colombiano que cursa mestrado na Universidade Federal do Pará (UFPA); Henry Burnett, pós-doutor em Filosofia, músico e atualmente professor na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Relivaldo Pinho de Oliveira, doutor em Antropologia e coordenador do projeto de pesquisa “Comunicação, Antropologia e Filosofia: estética e experiência na comunicação visual urbana da contemporaneidade de Belém do Pará”. As entrevistas resultaram em duas matérias especiais publicadas no Diário On Line (DOL).
Nos textos, alguns problemas foram destacados, como a grande quantidade de lixo na cidade. Para o pesquisador colombiano, “Belém tem um problema sério com o lixo. Poderia ter um sistema de coleta que evitaria que, quando chovesse, o lixo se espalhasse pelo chão e acabasse entupindo os bueiros. Além disso, o lixo gera um forte cheiro nas ruas e a proliferação de ratos, muito comum na paisagem noturna da cidade”, destacou.
Ainda segundo Diego, a Belém contemporânea é “repleta de prédios muito altos em comparação aos prédios das metrópoles colombianas” e a “desigualdade social que gera muita insegurança e presença de muitos meninos na rua em nada é diferente de cidades colombianas, como Cali e Bogotá”, compara.
Já para Relivaldo, é necessário “exercitar o saber de viver melhor em uma cidade melhor, e isso exige que nós atentemos para as pequenas coisas, até os direitos mais importantes. Se perguntarmos para uma pessoa que anda pela cidade, sabe qual é uma das imagens mais marcantes? Um carro de luxo e dele sendo arremessado um copo descartável, ou um coco. É preciso retomarmos a noção de coisa pública; de elite pensante para a cidade como um todo; de convivência dentro de alteridades. Só assim o ocupante do carro de luxo, do ônibus, o passante, talvez compreenda que o objeto arremessado não flutuará no vácuo, ele cairá sobre a cidade (metáfora)”, avaliou.
Por fim, para Henry, aos problemas governamentais que dificultam melhorias na capital paraense se soma “o desamor pelos espaços de convívio, a destruição do patrimônio” por parte da população. Para o pesquisador, este seria o maior problema observado na capital paraense. A solução? O próprio Henry responde: “A necessidade maior é simplesmente amar a cidade e cuidar dela como cuidamos da nossa casa, entendendo que a cidade deve ser uma continuidade amorosa de nossa intimidade”, finalizou.
Acesse as matérias especiais na íntegra: Belém atual é marcada por problemas e desamor e História, turismo e cultura seguem à margem.

Enderson Oliveira

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