Doze canções para (ou sobre) Belém

belem

Foto: Cezar Magalhães.

Belém, 399 anos. Para o aniversário desta senhora linda, mas mal cuidada, tal qual uma viúva que repentinamente se vê sem amores verdadeiros que possam (e queiram) cuidar de si, selecionei doze canções. Na verdade, quinze, considerando mais três que não são paraenses, mas poderiam ser, como é possível notar ao ouvi-las.
A seleção das músicas é, obviamente, pessoal e, por isso, restrita. Acredito que as mesmas, de gêneros e épocas diversas, ou “representam” a cidade (no sentido que preferir, caro leitor) e/ou mesmo possibilitem pensar sobre sua situação, seus imaginários, nossos hábitos.
São “pílulas” para observar e ouvir uma cidade, nada mais.
Segue a lista, em ordem aleatória:

Senhora Dona Sancha, Waldemar Henrique
Belém, um dia já foi, talvez, a senhora Dona Sancha.

Devorados, Madame Saatan
A Vila da Barca, um dos ícones da periferia de (ou da periférica) Belém e da relação entre capital paraense e interior do estado, é apresentada em música e imagem pela Madame Saatan. Além da bela e inteligente canção, o registro imagético não poderia faltar nesta lista.

Almirante Brás, Tribo
A Tribo existiu entre a segunda metade da década de oitenta e início dos anos noventa. Do gênero que poderíamos considerar como “pop rock”, produziu alguns clássicos, hoje infelizmente são pouco conhecidos, ao se falar e criticar a capital paraense e seus hábitos e ícones, como a avenida Almirante Brás de Aguiar e a “elite” econômica da capital paraense.

Porto Caribe, Ruy Barata
Tal canção, apesar do ufanismo talvez demasiado, não poderia faltar nesta lista. Com melodia marcante e inúmeras versões já feita, se tornou até certo ponto clichê, mas segue interessante para se compreender um pouco da música da cidade e também o pensamento de uma época, que pode persistir ou não.

O amor, o cego e o espelho, Mosaico de Ravena
Música pouco conhecida do Mosaico de Ravena, “O amor, o cego e o espelho” merece destaque por falar de hábitos que hoje permanecem não somente em Belém, como em grandes metrópoles. Com um clipe gravado de forma amadora, mas bastante interessante para a época, a canção possui uma ótima versão ao vivo do Mosaico com a cantora Sammliz, da Madame Saatan, no CD/DVD “Memorial”.

Vela, Madame Saatan
Fugindo de clichês, Vela fala do Círio sem citá-lo uma vez sequer. Ebós, Matintas, Cruzes, Deus, diabo, pessoas que rezam, choram e bebem com santos fazem da canção um verdadeiro e ótimo hino “rock” sobre os festejos de outubro.

Terra Firme, Henry Burnett
É Terra Firme, mas poderia ser outro bairro ou mesmo município da região metropolitana.

Coca & Cola, Tribo
Apesar de ter sido feita há quase três décadas, Coca & Cola segue totalmente e, infelizmente, atual.

Coração de metal, Stress
A síntese do orgulho de ser da cidade em um clássico da primeira banda de heavy metal do país, o Stress.

Matinha do Cruzeiro, Coletivo Rádio Cipó
Imagens da violência urbana e contemporânea de Belém, é também um retrato das misturas estéticas na música paraense e das periferias da cidade.

Oswald canibal, Henry Burnett
Da poesia modernista de Oswald Andrade à filosofia contemporânea de Benedito Nunes, passando pelo interstício que une (pelo bem, pelo mal) São Paulo e Belém do Pará. A canção “Oswald Canibal”, resultado da parceria entre o poeta Paulo Vieira e o compositor Henry Burnett, apresenta um cenário em que “o Brasil – principalmente suas capitais – estão cada vez mais parecidas; infelizmente elas se igualam pela destruição, e não pela incorporação de elementos positivos. O cenário pode ser atribuído às artes em qualquer lugar do Brasil”, segundo Henry Burnett.

La Madame, La Pupuña e Madame Saatan
Jingle ou não, a “cidade que dorme e acorda queimando a gente” é apresentada de um modo bem interessante na canção.

Além destas doze, as outras três canções citadas acima, sem comentários que justifiquem sua presença aqui:

A Cidade, Chico Science e Nação Zumbi

Encontros e Despedidas, versão de Walter Bandeira

México, Instituto Mexicano del Sonido

 Enderson Oliveira

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Uma resposta em “Doze canções para (ou sobre) Belém

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